Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Até amanhã, Boos!


Meu querido, arrisco a dizer que sei o que você deseja neste seu momento tão delicado. Talvez não seja o que muitos esperam e queiram. Porém, não se trata de nós. É de você, da sua luta, sua vida, tão linda, admirada por tantos!

Tu me fez chorar guri, como criança pequena, na penúltima vez que te vi. Como agora, escrevendo pra ti. Mas tu me mostraste nesses poucos anos de convivência, outros olhares, tantas outras vivências, coisas tão simples, tão óbvias, mas que estavam tão longe de mim. Uma noite estrelada, no alto de um morro, sem luz de faróis de carros, postes ou de bikes. A luz da lua no chão. O silêncio e o cheiro do verde, da terra, sem fumaças ou gases. O barulho das folhas na terra e no alto das árvores, sem vozes e motores, sem asfalto. Os rios percebidos e sentidos à noite, só pelo movimento da correnteza chegando nas pedras, sem nenhuma luz. Colher tangerina das árvores de beira da estrada, mortos da fome depois de quase 70 kilômetros de pedal. Nossas conversas sérias e ao mesmo tempo divertidas sobre nossas vidas, relacionamentos; enquanto os outros já haviam pedalado a terceira ribanceira, e eu e você, empurrando nossas bicicletas, ofegantes, falantes e confidentes. Eu por ser ainda iniciante, você, por ser experiente, mas já nitidamente cansado.

Querido, estou aqui pra te dizer de peito aberto, que desejo exatamente o que você deseja nesse momento pra ti. Seja livre, como você sempre foi e quis ser.

Por isso, termino te dizendo que me lembro da última pergunta que te fiz, para então terminar esta carta:

- Quando é que você vai voltar a pedalar comigo?
- Amanhã! – disse você, convicto.

Até amanhã então, Boos. Até amanhã!






terça-feira, 16 de abril de 2013

Temperos e aromas da vida



Sempre tive curiosidade em conhecer novos 
restaurantes e isso já foi um dos meus programas prediletos. Não que eu ainda não goste, mas depois de um tempo, comecei a perceber que faltavam alguns temperos a mais naquelas refeições.

E não falo da páprica, do alecrim ou manjericão. Falo daqueles temperos que você não encontra nem nos melhores restaurantes do mundo, e que só existem quando cozinhamos e partilhamos esse momento com amores e amigos. É ali que se encontram os temperos que não estão nem no mais lindo e privativo restaurante: o aconchego dos lares, os risos desmedidos e até o tempero das apimentadas confidências.

E pouco a pouco, outros temperos e aromas vão invadindo nossas cozinhas, salas de jantar e corações...

Como a alegria da Mari e da Gi, que nos convida a uma descontração, às vezes até desconcertante, especialmente pra Gi.  A vontade de aconchego da Cleide e do Macedo, no pedacinho do céu deles. As trocas de confidências e de cômicas farpas com a Ana e a Josi, nos mostrando o quanto somos parecidas em ideais e ideias. A saudade dos temperos de quem não está mais tão perto, como as brincadeiras da Greyce, as altas risadas da Celinha e o carinho aconchegante da Momô.

As intimidades nas conversas com o Roberto, enquanto ele delicadamente prepara os ingredientes. A empolgação do Pepe, da Taninha, da Gláucia e do Marcelo, na hora de cantar e batucar. A voz da Rosane Magaly, fazendo eco por todos os cômodos. A alegria de conhecer os amigos de amigos, e que agora também se tornaram amigos, como o Fernando Alex, que nos apresentou a lindeza de sua arte e a Sheron, com toda a sua delicadeza.

As trocas de receitas e folias gastronômicas feitas pelo pessoal da procuradoria de Gaspar: as fajitas de carne e o escondidinho do Leandro, o cachorro-quente do Nilton e os brigadeiros da Giselle. Isso sem esquecer do carinho presente nas delícias da dona Brita!

Também tem as tiradas da Carla, pra fazer o povo rir, mas também... pensar. A minha folga em levar todos os badulaques pra fazer moqueca na casa da Ali, do Charles e do menino Joaquim, num lugar que nos convida à calmaria e a um olhar de (re)descoberta da natureza; mostrando que, pra ser feliz, isso mais do que basta.

Moqueca na casa da Ali, Charles e Joaquim

E por fim, aquele carinho imensurável no preparo do caldo de peixe do paizão e da mãezinha de coração, junto com o Júnior e a ‘princesinha’ Camila, com suas maravilhosas sobremesas, conquistando mais e mais amigos-admiradores a cada aniversário da Carla. Que o diga as ‘Meia Porção’, a Maila e a Kay!

A comida feita com os temperos do amor e da amizade é muito mais interessante e saborosa do que aquela dos restaurantes de alto preço, normalmente decorados com muita plasticidade.... Cozinhar com o seu amor, com os amigos e para os amigos é também um ato de carinho imensurável de amor e amizade. E os temperos e aromas ali partilhados são os mais deliciosos da vida!


* Esse texto foi publicado no Portal Blumenews, de Blumenau.